A Universidade Federal de Jataí (UFJ) aprovou pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), no âmbito da Chamada Pública MCTI/FINEP/FNDCT — Programa Identidade Brasil, o projeto “Memória e Inovação Científica da UFJ: Acesso aos Acervos do Sudoeste Goiano” (MIC-UFJ). A proposta garante à instituição um investimento total de R$ 8.725.459,74 para a recuperação, preservação, digitalização e difusão de mais de 30 mil itens científicos custodiados pela Universidade.
O projeto é executado sob coordenação de Gabriela Alves Campos, Coordenadora de Arte e Cultura da PROECE, e conta com apoio institucional da Pró-Reitoria de Ensino, Pesquisa e Extensão, sob a gestão da Pró-Reitora Erin Caperuto de Almeida.

Um patrimônio científico disperso que ganha infraestrutura
Distribuídos entre laboratórios, institutos acadêmicos e unidades de apoio da UFJ, os acervos contemplados pelo projeto incluem o Herbário Jataiense (10.909 amostras), a coleção de morcegos (2.225 espécimes, cerca de 60% das espécies brasileiras), a coleção de DNA, tecidos e peixes do Rio Paranaíba, primeiro acervo ictiológico científico da bacia no estado de Goiás, o laminário histopatológico, a bacterioteca e micoteca, a coleção helmintológica, a litoteca de rochas, minerais e fósseis, o Museu da Fauna do Cerrado e a coleção de abelhas, entre outros conjuntos de relevância regional e nacional. Apesar do valor científico e social reconhecido, esses acervos enfrentavam limitações estruturais significativas: dispersão física, ausência de controle ambiental, carência de equipamentos de biossegurança e fragilidades nos processos de catalogação e digitalização.
Os principais equipamentos que chegam à UFJ
O investimento aprovado combina dois níveis de infraestrutura, que se complementam: uma camada estratégica, de interesse institucional mais amplo, voltada a dar vazão e ampliar o acesso aos acervos; e uma camada específica, dimensionada em colaboração direta com os pesquisadores responsáveis por cada coleção.
Infraestrutura estratégica, de interesse institucional
Esta frente responde a uma necessidade histórica da UFJ: garantir espaço físico adequado para guarda, exposição e circulação pública dos acervos, hoje um dos principais gargalos identificados no projeto. Destacam-se:
- Contêineres climatizados, destinados à guarda técnica dos acervos científicos e às ações itinerantes de divulgação do programa Museu na Caixa, que levará exposições, mediação científica e oficinas a escolas e municípios do sudoeste goiano;
- Kits modulares de arquivo deslizante em aço reforçado, para organização e conservação de longo prazo dos acervos científicos;
- A adequação do Casarão da UFJ, com instalação de plataforma elevatória e ajustes de piso e sanitários, garantindo acessibilidade física plena ao principal espaço museológico da instituição.
Equipamentos específicos, construídos com os pesquisadores
Já esta camada foi dimensionada coleção a coleção, a partir das necessidades técnicas levantadas junto aos pesquisadores responsáveis por cada acervo, destacando-se:
- Equipamentos específicos para o acervo de abelhas e para o Herbário Jataiense, incluindo estação fotográfica para documentação científica.
- Equipamentos para a preservação segura de coleções biológicas sensíveis, incluindo refrigeração científica e biossegurança;
- Um sistema de infraestrutura de digitalização científica de alta performance, com microscopia automatizada e captura de imagens em alta resolução, integrado a repositório digital institucional;
- Um estereomicroscópio trinocular de alta capacidade de magnificação, com câmera digital e software de captura e análise de imagens;
Juntas, essas intervenções ampliam a capacidade de guarda e dão vazão real ao acesso público e à circulação dos acervos — dentro e fora do campus.
Estratégia institucional: do armazenamento à governança
Mais do que a aquisição de equipamentos, o MIC-UFJ estrutura uma estratégia institucional de longo prazo para a gestão dos acervos científicos da UFJ, organizada em quatro eixos principais:

1. Governança permanente. Será formalizada uma política institucional de gestão de acervos, com a criação de um colegiado multidisciplinar responsável por normativas de preservação, acesso, uso científico e descarte.
2. Repositório digital e sistema de catalogação. Será implantado um sistema informatizado de gestão de acervos, com metadados padronizados nos moldes do IBRAM, e um repositório digital institucional de acesso público, com meta de indexação de ao menos 10% do acervo por ano.
3. Difusão científica e acesso público. O programa “Museu na Caixa” transformará dois dos contêineres adquiridos em unidades expositivas itinerantes, levando exposições, mediação científica com intérprete de Libras e oficinas práticas a escolas e municípios do sudoeste goiano, com meta de alcançar cerca de 25 mil pessoas por ano.
4. Capacitação e sustentabilidade. Um programa estruturado de capacitação técnica, com carga horária de 20 horas para até 50 participantes, formará equipes da UFJ em operação do sistema de gestão, digitalização científica e fluxos de publicação, assegurando a continuidade das atividades após o término do financiamento.
Impacto esperado
Entre as metas do projeto, com execução prevista em 36 meses, estão o aumento de aproximadamente 40% na capacidade de armazenamento físico seguro, a recuperação de ao menos 50% dos itens classificados como críticos, a produção de quatro cadernos didáticos e um livro institucional de caráter científico-didático, e a formalização de cinco novas parcerias interinstitucionais com municípios da região até 2029.
A aprovação do MIC-UFJ consolida a trajetória recente da UFJ na captação de recursos junto à FINEP e reforça o papel da Universidade como polo estruturante da ciência, cultura e memória no sudoeste goiano.